Uma abordagem “Sherlock” do mercado

29/08/2018 | Nenhum comentário

Creio que todos conhecem o famoso detetive Sherlock Holmes, personagem criado por Sir Arthur Conan Doyle, que possui grande capacidade para solucionar problemas por aplicar, o que o próprio chama de a “A Ciência da Dedução”. Li alguns livros deste personagem e, de fato, sua capacidade de pensar fora da caixa (frasinha da moda) é interessante, espantosa e digna de admiração por nós, como é pelo seu fiel escudeiro e biógrafo Watson.

Eu gostaria de buscar uma analogia entre a forma “Sherlock” de pensar e encarar seu nicho de atuação no mercado. Lendo esta história, identifiquei um viés totalmente especialista generalista por parte do personagem principal. Sherlock Holmes conseguia ser um detetive diferenciado pois ele buscava apenas o conhecimento essencial para seu trabalho e essa busca resultava em estudos feitos sequencialmente e com profundidade (ele sempre cita monografias feitas sobre assuntos estranhos como “cinzas de tabaco” e “solas de sapato”) fazendo dele no decorrer dos anos um especialista generalista em assuntos de pouca relevância isolados, mas de grande utilidade quando utlizados em conjunto como Sherlock Holmes o faz durante toda sua narrativa. Ele era fanático por história policial, química e outras excentricidades mais, que lhe eram muito úteis no final de tudo, mas em contrapartida não sabia que a Terra girava em torno do sol, mostrando sempre seu lado  “Essencialista” de pensar (nesse ponto essencialista até demais, vamos concordar).

Lendo as histórias  deste famoso detetive, notei que ele tinha uma vida entediada, pois muitas vezes não possuia um caso “a altura” de sua capacidade intelectual,  e nestes momentos de ócio sempre se afundava em fazer experimentos químicos, tocar violino ou até mesmo consumir drogas. O livro não cobre com clareza sua camihada antes de ser um detetive de última instância, selecionador de trabalhos, mas vejo nele um padrão de vida ambicionado por quase todas pessoas.  Ele não buscava clientes, pois possuia uma reputação que o precedia e  seu marketing funcionava apenas com indicações “boca a boca”,  propiciando um trabalho para ele que era uma diversão e certamente de bons ganhos pois em sua casa na Baker Street ele tinha empregados (creio que isso era algo caro para aquela época em que as histórias se passam).

A partir do foco da especialização em seu âmbito de trabalho, Sherlock Holmes nos mostra que usar sua abordagem em nossa vida profissional é mais que necessária, ainda mais a nós profissionais de TI, que sempre somos bombardeados com conhecimentos obrigatórios e o surgimento diário de novos frameworks (javascript), novas tecnologias, novos gadgets, enfim, tudo novo numa nova economia cada vez mais baseada em tecnologia. Quando passei a ler tais histórias deste famoso detetive e linká-las com os ensinamentos do livro “Essencialismo” pude notar que o todo é importante, mas o mais fundamental é compreender qual é a única coisa que lhe faz ter prazer em fazê-la a ponto de ganhar dinheiro “sem trabalhar”.

Vivi e as vezes me vejo pensando neste caos que é estudar e viver de tecnologia, mas a partir do momento que busquei uma abordagem “Sherlock” em minha carreira, percebo que emocionalmente estou muito melhor, evoluindo de forma mais efetiva e aos poucos construindo resultados bons.  No meu caso esta abordagem resultou na minha opção por me especializar no Django diante de uma necessidade de aperfeiçoar minha experiência com web e conhecer uma linguagem muito promissora como é o python. Aprendi o necessário de HTML, CSS e Javascript, mas tenho focado essencialmente em aprender com profundidade Python e o framework Django. Gosto de aplicar o que eu chamo de estudo sob demanda , ou seja, quero ser especialista Python e Django e aprendo o necessário das tecnologias acessórias neste contexto HTML, CSS e Javascript

O caminho não é fácil para ser especialista em uma coisa e generalista em outras mil, mas não impossível. Creio que há um processo árduo e necessário para todos nós um dia podermos ser selecionadores de clientes como é nosso famoso amigo detetive, mas um dos processos fundamentais é evidenciar nosso diferencial em todos serviços prestados, ou durante nossas negociações, para que tal notícia ecoe e faça os clientes virem até nós por si só. Sejamos excelentes em uma coisa e bons em outras mil, essa é a lição que aprendi e queria saber de vocês, o que acham deste conceito especialização vs. generalização?

 

Obs.: não posso afirmar com certeza se o conceito “estudo sob demanda” é um termo criado por mim ou adaptado de algum outro estudo feito.

Tags:, , , , , , ,

Deixe seu comentário