Opinião: “A Casa Iluminada”

11/04/2020 | Nenhum comentário

A história gira em torno de Melquíades e seu luto perene pelo trágico assassinato de sua esposa, Beatriz. Em função de seu estado mental frágil, em um belo dia o personagem decide por fogo na própria casa, buscando amenizar sua dor e apagar lembranças da falecida esposa. Como uma casa a pegar fogo não é algo que se vê todo dia, sua história virou notícia nacional e pouco tempo depois o assassino, chamado Ismael, se entregou para a polícia.

Como era de se esperar, a polícia avisou Melquíades sobre a prisão e ele foi ao encontro de seu algoz para interrogá-lo. Depois de tal encontro, Melquíades decide se vingar de Ismael, buscando mostrar a ele como a vida em liberdade era maravilhosa enviando-lhe fotos, com o intuito de ferir Ismael até forçá-lo a um suicídio. Vale mencionar que, a narrativa deste encontro entre eles transmite uma carga emocional e tanto para quem lê.

Durante essa jornada vingativa, ao invés de um Ismael atacado pelas provações, notamos um Melquíades infeliz,  carente e até mesmo, dependente da doentia relação com o assassino da sua esposa. Lendo as páginas, fica uma sensação que cada contato entre eles é um movimento em um jogo de xadrez.

Ler uma história em que o bandido parece se sair melhor que o mocinho, pode soar revoltante considerando o contexto Brasil que vivemos de altas taxas de criminalidade, mas a adoção de tal recorte representa uma interessante metáfora sobre os efeitos da falta de perdão em nossas vidas, pois Melquíades devota sua vida a uma vingança que soa mais como “um tiro que sai pela culatra”.

Como cristão lendo este livro me lembrei da passagem de Mateus 18:21-22,

Então Pedro aproximou-se de Jesus e perguntou: “Senhor, quantas vezes deverei perdoar a meu irmão quando ele pecar contra mim? Até sete vezes?”
Jesus respondeu: “Eu digo a você: Não até sete, mas até setenta vezes sete.

Não quero entrar no mérito de o quanto é difícil perdoar um assassinato, mas o livro consegue nos mostrar uma jornada triste e solitária de um homem que vive por uma vingança e o viver pela vingança pode ser comparado a construir uma casa sobre areia (vide Mateus 7:24-27).

Muito grato por ter conhecido essa obra e pelas reflexões proporcionadas. Quem quiser ler e formar sua opinião sobre a obra, pode encontrá-la aqui.

Fonte Imagem: https://m.media-amazon.com/images/I/41eWSUB3M6L.jpg


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