Resumo sobre o livro Essencialismo: A disciplinada busca por menos

19/08/2020 | Nenhum comentário

Recentemente li pela segunda vez o livro Essencialismo – A Disciplinada Busca por Menos do Greg Mckeown, e inegavelmente, quando o livro é bom, tu aprende algo novo a cada leitura. Certamente, abaixo da Bíblia Sagrada, este é o livro que mais recomendo a todos lerem.

Na primeira vez que o li em 2017, peguei o livro emprestado com meu grande amigo Paulo Rocha, e naquela oportunidade já ficou claro que algo estava errado comigo. Eu vivia uma fase na vida que estava bem longe de um possível fundo do poço, mas havia um mal que me castigava terrivelmente: a ansiedade, aquele bendito sentimento que nos sobreveem por “excesso de futuro” (obrigado Dale Carnegie pela ótima definição) e mesmo estando numa ótima empresa e vivendo o paraíso na terra ao lado da minha amada, esse bendito mal toldava minha visão e me induzia a querer “abraçar o mundo”, querendo tudo e não conquistando nada, a não ser a tal síndrome do impostor.

Indubitavelmente, muitas coisas boas que aconteceram em 2019 e 2020, resultaram desta primeira leitura em 2017, e por isso optei por lê-lo novamente, mas desta vez fazendo um resumo para fixar ainda mais seus preciosos ensinamentos.

Neste presente texto busco resumir o conteúdo do livro mesclando citações do autor e ideias que condensei durante a leitura. Espero conseguir expor com alguma maestria tão rico conteúdo.

O que é o Essencialismo?

Em termos gerais, Essencialismo é uma forma de pensar e agir, na qual somos induzidos a fazer menos, mas melhor. Vide uma definição “direto da fonte”:

“O essencialismo não trata de fazer mais,; trata de fazer as coisas certas. Também não é fazer menos só por fazer menos. É investir tempo e energia da forma mais sábia possível para dar sua contribuição máxima fazendo apenas o essencial” (P.13)

Entendendo o Essencialismo

Para introduzir o assunto, o autor resume nos tópicos abaixo o que é a base do essencialismo:

  • Poder de escolher o que deseja fazer ou não: “A capacidade de escolher não pode ser dada nem tirada; só pode ser esquecida” (P.44). O autor usa seu exemplo pessoal na hora de escolher qual faculdade cursar para apresentar o “poder” de poder escolher nossos caminhos. Para viver como essencialista, precisamos resgatar este libertador princípio;
  • Discernir: vide conceito do dicionário: “perceber claramente (algo, diferenças etc.); distinguir, diferenciar, discriminar“. O essencialista avalia mais para fazer menos, ele visa trabalhar muito, mas principalmente trabalhar do jeito certo;
  • Perder para ganhar: selecionar sempre o que melhor se adequa a sua realidade, diante das infinitas opções que se apresentam a nós. É errado se perguntar: O que estou perdendo. O correto é: em quê quero investir tudo?

Ao apresentar de forma macro o passo a passo de se tornar um essencialista, EXPLORAR é o primeiro tópico. Nele, o autor explica qual o processo de separar o essencial do não-essencial nas seguintes atividades:

  • Escapar: Investir tempo genuíno para pensar. Ame um tédio casual vez ou outra, pois é um terreno muito fértil para organização e surgimento de ideias;
  • Olhar: Saber encontrar o CERNE da questão, entender qual pergunta deve ser respondida antes de procurar respostas (evite o quarenta e dois¹!!!)
  • Brincar: importante para destravar ideias;
  • Dormir: tratar isto como necessidade ao invés de luxo;
  • Selecionar: estabelecer critérios rígidos de escolha, para que permaneçam apenas as tarefas essenciais. “Se não for um SIM óbvio, logo é um NÃO” (P. 117);

Evidentemente, num primeiro exercício de exploração, algumas coisas não essenciais podem “passar batido”, pois a tarefa de priorizar é realmente complicada, ainda mais numa era de tantas opções. É neste momento que entra a segunda etapa: ELIMINAR o que não é essencial, para facilitar a execução daquilo que é essencial. O famoso perder para ganhar. Vide tarefas:

  • Esclarecer: entender o porquê de seu esforço. Deixar claro qual seu objetivo, pois isso te direciona a eliminar aquilo que não o ajuda a atingir a meta proposta;
  • Ousar: trocar satisfação social momentânea por respeito social de longo prazo, ou seja, habitue-se a dizer não com frequência em favor de realizar o essencial (Vale até citar a referência direta deste tópico no livro: capítulo 11, página 147. Sei que o tema é espinhoso);
  • Descomprometer-se: saber a hora de parar; Focar nos resultados práticos e não no quanto foi investido;
  • Editar²: Há uma analogia sobre como o editor de um filme trabalha e como devemos ajustar metas conforme cenário, pois imprevistos acontecem e ser essencalista não te torna vidente;
  • Limitar: deixar claro a todos o que pode ou não ser feito.

Após muita teorização, o que seria de nós se não soubéssemos como por em prática tais conhecimentos? Nesse aspecto reside o próximo tópico, EXECUTAR, e para tal precisamos:

  • Prevenir: intrinsecamente ligado ao planejamento bem feito. Sempre que planejar uma tarefa, acrescentar 50% de tempo a mais como margem de segurança pois imprevistos acontecem;
  • Subtrair: identificar gargalos (tarefas não essenciais), que nos separam do cumprimento de nosso objetivo principal e remover tais obstáculos. Exemplo: supondo que você gostaria de ler um livro, mas “não tem tempo”, daí ao repensar como é sua rotina diária, percebe que você gasta por volta de duas horas no instagram. Salvo o cenário de alguém que trabalha com isso, não seria interssante reduzir o tempo de rede social para uma hora, e usar essa outra uma hora para ler?
  • Avançar: quebrar em etapas menores (baby-steps) nossas tarefas e comemorar cada tarefa menor cumprida. Um ponto bem legal é que neste tópico, há ótimas ideias sobre como aplicar princípio de recompensas na criação dos filhos;
  • Fluir: exalta o poder do hábito para criar boas rotinas e como isso se torna a ponte para facilitar tarefas difíceis³;
  • Focalizar: viver o agora, manter o foco nas tarefas atuais. Uma ótima descrição disso está na página 225: “Os gregos antigos tinham tinham duas palavras para noção moderna de tempo. A primeira era Khrónos. A segunda, Kairós. Khrónos tem a ver com o tempo do relógio, o tempo cronológico, do tipo que medimos (e nos faz correr na tentativa de usá-lo com eficiência). Kairós é diferente. embora difícil de traduzir com exatidão, a palavra se refere ao tempo oportuno, certo, diferente. Khrónos é quantitativo; Kairós, qualitativo. Só se vivencia este último quando estamos inteiros no momento presente – quando existimos no agora” (P. 225);
  • Ser: “Viver como essencialista nesta sociedade de excessos é um ato de revolução silenciosa…”(P. 240). Este tópico finaliza o livro nos mostrando que seguindo os passos anteriores, o ser essencialista se torna algo natural e automático e como ótimo exemplo disso, Jesus é citado como alguém essencialista, pois ele entendia muito bem sua missão na terra e a cumpriu mesmo vivendo uma vida errante.

Após ler, refletir, escrever e aplicar tais conselhos, uma palavra vem a mente: Libertação, pois foi esta leitura o gatilho para me resgatar de crises frequentes de ansiedade e da busca indisciplinada por realizar grandes coisas, sendo algumas nada importantes.

Saber que o controle da própria vida é uma responsabilidade nossa e que isso é algo totalmente tangível, nos faz enxergar claramente o joio no meio do trigo e definir os princípios que devem alicerçar nossa vida e, consequentemente, nossas atitudes e pensamentos.

Espero ter conseguido repassar tudo que entendi com esta obra e motivar outras pessoas a se libertarem da imposição terrível de ficar cem por cento produtivo e buscando fazer tudo, mas sem conquistar nada (Deixa esse papo de ficar “ON” com o Neymar, combinado?).

Todo são bem vindos a enriquecer esta discussão com sua opiniões e comentários. Abraço e até a próxima….

Notas:

  1. Quem já leu a obra guia Mochileiro das Galáxias, de Douglas Adams, lembrará que os personagens viajam o universo em busca da resposta definitiva a todas questões dele, sendo tal resposta quarenta e dois. Quando eles questionam tão estúpida resposta, eles são arguidos sobre o fato de não saberem ao menos qual pergunta está sendo respondida. Uma ótima metáfora sobre como devemos entender bem o problema antes de partir para solução.
  2. Menção honrosa a um recente fato, quando falamos da arte de editar. Creio que todos ficaram sabendo que o filme da Liga da Justiça está sendo refeito usando o famoso Snider Cut, que segundo muitos, é uma versão do filme muito superior a que vimos no cinema. Editar a vida para fazer dela um “filme incrível”, é algo encorajado no livro e isso é muito bem elucidado, reforçando a ideia de que imprevistos devem ser aceitos como o são (fatos não previstos), mas que temos plena condição de ajustar o rumo da nossa vida conforme for necessário.
  3. O autor citou o ótimo livro “O Poder do Hábito”, mais especificamente a rotina do campeão olímpico Michael Phelps, para exemplificar isso.

Imagem thumbnail: https://www.amazon.com.br/Essencialismo-Greg-Mckeown/dp/8543102146

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